Insalubridade: Liceus da capital com casas de banho em estado deplorável

Por: Leon-Paul Gomes, Fadel Gomes da Silva e José Augusto Mendonça

Article JoseBissau, 10 Fev 15 (ANG) – A maioria de casas de banhos das escolas, sobretudo públicas do país apresentam más condições de higiene, havendo alguns sem água.
Por exemplo, os três maiores liceus da capital, nomeadamente “Rui Barcelo Cunha”, “Agostinho Neto” e “Kwamé Nkrumah” visitados pela ANG, apresentam-se num estado deplorável em termos de higiene, sem pias, torneiras, portas e desinfectantes.
“As casas de banho dos alunos não têm mínimas condições. Estão sempre sujas, com águas estagnadas e deitando cheiros nauseabundos”, caracterizou revoltada a aluna de “Rui Barcelo Cunha” que se identificou por Benedita Agostinho Gudinha.
O mau cheiro nesta escola é tanto que os alunos de uma das salas adjacentes, sala 8 do bloco 5, não conseguem assistir as aulas. As casas de banhos carecem de pias e nem todas as torneiras deitam água.
Aliás, o presidente da associação dos estudantes do referido liceu, Rufino Ié, corroborou estas afirmações e disse ter abordado a situação com a direcção da escola e recebido garantias de que a situação seria melhorada “brevemente”.
A sua homóloga do “Agostinho Neto”, reconhece que a situação higiénica no liceu é precária, mas atribuiu responsabilidade aos alunos pela má utilização das casas de banho.
“Os alunos não colaboram para a higiene da escola, particularmente nas casas de banho. Urinam no chão e quando defecarem não deitam água”, criticou Tanélcia Gomes Teixeira que aponta estas atitudes como razão pelo mau cheiro na escola.
Confrontado com as queixas, o subdirector do “Rui Barcelo Cunha” admitiu a situação, mas prometeu que a direcção irá diligenciar para sanear o problema e elevar a qualidade de higiene e saneamento do liceu.
“Recentemente a direcção do liceu aprovou um calendário mensal para a limpeza da escola, isto para garantir um bom ambiente sanitário”, informou Justino João Có que disse que este trabalho vai incluir a limpeza das casas de banho.
A directora do “Kwame N´Krumah”, disse estar ciente do problema da falta de casa de banho, uma vez que as que ali existem se encontram entupidas de paus e pedaços de panos, portanto, em desuso.
“Quando tomei posse, em Novembro passado, constatei que não havia condições higiénicas na escola, devido a falta de sanitas nas casas de banhos quer dos alunos quer dos professores e até do próprio Director. Precisam de ser substituídas devido ao mau estado em que se encontram”, reconheceu Alanan Pereira.
A directora do liceu prometeu que a situação será resolvida paulatinamente em função dos meios financeiros disponíveis e depois do pagamento de propinas de segundo trimestre.
Depois disso, sublinhou, a prioridade será a reabilitação de todas as casas de banhos e a partir dai, os alunos terão que assumir as suas responsabilidades de bom uso das latrinas escolares.
Segundo Alanan, os alunos são os principais responsáveis pela deterioração do ambiente higiénico da “casa de banho”.
Posto ao corrente dos problemas que afectam os três estabelecimentos de ensino liceais no que se relaciona com a higiene e saneamento, o Director-geral do Ensino, Geraldo Indeque lamentou mas esclareceu que “não se pode resolver tudo de uma vez”.
Acrescentou que a DGE irá apostar na reparação das infra-estruturas escolares, inclusive as casas de banhos.
Indeque questionou entretanto o paradeiro dos fundos que são colocados a disposição de cada liceu para despesas correntes, nomeadamente trabalhos de limpeza e manutenção das respectivas escolas.
Para este ano, segundo aquele responsável, o ministério em conjunto com as direcções das escolas, vão trabalhar somente nos aspectos de melhoramento de higiene nas salas de aulas, casas de banhos e recintos escolares.
“Não há condições financeiras para fazer tudo de uma vez. Para o próximo ano lectivo contamos ter casas de banhos condignas”, prometeu Geraldo Indequi.
Esta situação de insalubridade constatada nos três liceus de Bissau também se verifica nas escolas públicas e privadas do ensino básico complementar, e até em algumas instituições de formação superior.

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